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ancora disse
Este livro transborda de dor. Uma dor que não pode deixar ninguem indiferente, por ser a dor da perda, por a perda se referir a um ente tão querido. O pai que morre e ainda assim a todo o momento está vivo, e todo o momento existe porque o pai o nomeou. Lemos um filho que se sente sem chão para pisar mas a quem o amor faz, o que só o amor consegue fazer: percorrer o caminho de volta à pacificação com a vida. Peixoto conta uma história simples mas que consegue ser tocante graças à sua singular forma de escrever, que me pareceu muito poética, e onde o efeito de repetição faz todo o sentido. Imperdivel.
em 20 Fev, 2004 - Para responder identifique-se - Comunicar
anatobi respondeu
Todo o livro é escrito com uma arrepiante amargura e dor . Dor que se sente tão profunda que chega a magoar quem lê. Boa opinião . Um Abraço. até sempre Ana
Duffy respondeu
Gostei muito da sua opinião, ao mesmo tempo tão singela e tão sofrida. Bem vinda ao Livra! Cumprimentos Duffy
lina_c disse
Morreste-me. Numa palavra, num simples título, o resumo de toda a dor, toda a revolta e todo o desespero da perda. "Morreste-me",uma suposta ficção, narra em prosa poética o retorno a uma terra onde a ausência causada pela morte do pai do narrador dá origem a toda uma ausência de sentido, de orientação, de compreensão de causas e efeitos. Parece existir o desafio quase sempre presente de um desespero, de uma solidão infinita que se acentua a cada memória. "O pó das horas sem gente a vivê-las cobriu os móveis e o espaço fechado entre eles. As paredes voltaram a separar o inverno nocturno, permanente da casa e o ciclo alternado dos dias e do mundo, alheio a nós, para lá de nós. Comigo, a casa estava mais vazia. O frio entrava e, dentro de mim, solidificava." A causa da morte desse ser é uma realidade cada vez mais presente: o cancro. Talvez por isso a revolta perante o lento e inevitável definhar do corpo. A revolta perante o abandono lento da vida, perante a impossibilidade de uma cura. E sempre as palavras de encorajamento a caírem no vazio. "Pousei-te as mãos nos ombros fracos. Toda a força te esmoreçera nos braços, na pele ainda pele viva. E menti-te. Disse aquilo em que não acreditava. Ao olhar amarelo, ofegante, disse que tudo serias e seríamos de novo. E menti-te. (...) E tu, sincero, a dizeres apenas um olhar suplicante, um olhar para eu nunca mais esquecer." E, num momento, é como se o mundo parasse, deixasse de fazer sentido. "E oiço o eco da tua voz, da tua voz que nunca mais poderei ouvir. A tua voz calada para sempre. E, como se adormecesses, vejo-te fechar as pálpebras sobre os olhos que nunca mais abrirás. Os teus olhos fechados para sempre. E, de uma vez, deixas de respirar. Para sempre. Para nunca mais. Pai. Tudo o que te sobreviveu me agride." Este livro comoveu-me porque já vivi uma situação muito semelhante. Sobrevivi. Porque depois da dor, sobretudo a dor que explode no peito, a dor que quase nos impede de respirar, existem as memórias, a aceitação. Sobreviver e viver por quem já não vive. "Pai, onde estiveres, dorme agora. (...) Eras um pouco muito de mim. Descansa, pai. Ficou o teu sorriso no que não esqueço, ficaste todo em mim." Espero ter feito justiça à triste beleza deste livro.
em 13 Jan, 2004 - Para responder identifique-se - Comunicar
Bizuga respondeu
Estou sem palavras... Emocionei-me. Foi óptimo teres opinado tão bem sobre esta obra. É deveras importante e sem dúvida "MUITO ÚTIL" dar a conhecer - como tão bem o fizeste - um tesouro literário como este... Uma beijoka Ana
lina_c respondeu
Obrigada, Ana! Este é mesmo um verdadeiro tesouro literário que merece muitas de demoradas leituras...ainda que tal implique sempre uma boa dose de tristeza. Jinhu,Lina
sofiamargarida disse
O livro é belíssimo!!! A escrita é envolvente, e sendo que todos temos alguém de quem certamente gostamos muito, como o José Lúís do Pai, o texto é como que se saísse de dentro de nós!!! É um texto de Amor,reconhecimento e gratidão! Todavia, considerado triste pelo Autor..., que, aliás é uma simpatia! Leiam Uma pequena Sinopse do livro: "Regressei hoje a esta terra agora cruel. A nossa terra, pai. E tudo como se continuasse. Diante de mim, as ruas varridas, o sol enegrecido de luz a limpar as casas, a branquar a cal; e o tempo parado, o tempo entristecido e muito mais triste do que quando os teus olhos, claros de névoa e maresia distante fresca, engoliam esta luz agora cruel, quando os teus olhos falavam alto e o mundo não queria ser mais que existir. E, no entanto, tudo como se continuasse. O silêncio fluvial, a vida cruel por ser vida". Leiam, pois vale a pena
em 16 Abr, 2002 - Para responder identifique-se - Comunicar
Duffy respondeu
Continua a insistir na cópia das sinopses e dos comentários do site da Bertrand. Não faça de nós burros!
Jimmy disse
José Luis Peixoto é um daqueles novos valores que irrompeu ao lado de tantos outros. Com um muito bem conseguido título "Morreste-me" este pequeno livro que se lê em quinze minutos com um aperto no coração como se nos tivessem deixado entregues à solidão da dor alheia, é uma memória e uma simultãnea uma catarse do jovem autor pela morte do pai. "pai, a tarde dissolve-se sobre a terra, sobre a nossa casa(...)e vi-te pensei-te. lembrei-te, à mesa sentado no teu lugar(...) Nunca envelheceste e eu queria ver-te velho, velhjinho aqui no nosso quintal". Confesso que embora se leia em pouco mais de 15 minutos, é difícil ler tanta dor, embora exposta de forma digna e triste, sentida, sofrida e não lamechas, e confesso-vos uma coisa, amigos livrianos: ainda não consegui ler o pequeno livro até ao fim! Aperta-se-me um nó na garganta e ou o fecho ou começo a chorar. Graças a Deus tenho pai, tenho mãe, tenhos irmãos, mas é tão triste, tão quase depressiva a verdadeita história que ninguém fica indiferente. O livro revela a coragem do testemunho da dor, e um tributo que todos devíamos ter a quem amamos...
em 8 Out, 2001 - Para responder identifique-se - Comunicar